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Sanidade bovina no outono e inverno, o verão se vai e velhas doenças retornam

Sanidade bovina no outono e inverno, o verão se vai e velhas doenças retornam

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Mais um verão que vai embora, e um novo outono que começa. Sim, esse mês fizemos a troca das estações. As temperaturas começam a baixar na região Sul e as chuvas somem no Centro-Oeste. Mas, não é só isso que acontece nessa dança das estações.

Outras transições também acontecem nesse período, e quando falamos de sanidade de bovinos de corte, essa sofre ainda mais. Claro que nas épocas mais quentes do ano, os bovinos sofrem com excesso de moscas, crises por bicheira, infestações de carrapatos, mas no outono e inverno, outras doenças também acometem nossos rebanhos. Mas, como apontado por Baptista et al. (2017), muito se discute, pouco se faz e nada é mensurado quando tratamos do tema da sanidade de bovinos de corte.

Lembre se que os custos com sanidade, por exemplo, em um confinamento, podem variar de 0,83% a 0,93% (BÜRGI, 2008; LOPES e MAGALHÃES, 2005). Podem parecer valores baixos, mas no final do ciclo podem gerar grandes perdas econômicas.  Além de que, a perda de peso muita vezes não é correlacionada com as doenças, oque pode levar a perdas ainda maiores. Até porque, oque dita preço de mercado é o peso do boi. E quanto mais tempo leva para ganhar peso, maior será seu custo de produção.

O outono vem, e a doenças também… Mas oque ajuda elas a entrarem no rebanho?

Entre as causas de aumentos das doenças em bovinos de corte durante essas mudanças de estação está necessariamente a mudança climática. Como apontado por Rezende (2017), os animais criados em ambiente de campo, ou até mesmo, no sistema semi-intensivo de produção, apresentam aumento da incidência de problemas respiratórios, quando expostos a alterações climáticas ou ambientais abruptas.

Oque temos aqui é a ocorrência daquilo que denominamos de estresse por alteração climática. E como toda fonte de estresse, essas mudanças no clima acarretam na diminuição da imunidade dos animais, oque leva ao aumento e disseminação de doenças no rebanho.

Além do clima, outras coisas podem causar problemas à saúde dos animais, a escassez de alimentos nesse período do ano e a poeira

Sim, além dos efeitos do clima não serem favoráveis aos animais, a escassez de alimentos pode ser mais um problema na sanidade dos mesmos. Quanto pior a alimentação, pior será a imunidade dos indivíduos, levando rapidamente a diminuição da resistência do rebanho.

A geada atingiu sua fazenda? Confira dicas do professor Moacyr Corsi. Será que estará boa para comer?
Como será que está a qualidade dessa pastagem? Será que está boa?
Fonte: Giro do Boi

Logo, nas propriedades que não realizam o planejamento alimentar, é notório que os animais vão entrar em balanço negativo, oque acarreta no processo de diminuição da imunidade. Mas, como assim? Simples, no período da seca, a qualidade das pastagens pode cair, não suprindo todas as necessidades dos animais. Por conseqüência, o animal irá redirecionar seu potencial produtivo para se manter, oque afeta toda a fisiologia, incluindo o sistema imunológico, que fica enfraquecido.

Você poderia pensar então no uso de confinamento para manter o ganho de peso. E essa é a tática preponderante. Porém se faz necessário que os responsáveis técnicos da propriedade aumentem os cuidados com a sanidade do rebanho, principalmente com o rigor e controle dos tratamentos antiparasitários e vacinas obrigatórias.

Porque, devido à necessidade de se realizar o confinamento, ocorrerá o processo de aglomerar os animais em um único espaço. Aglomerações facilitam a disseminação de doenças infecciosas dentro do rebanho. Além do mais, o uso de alimentos armazenados pode levar a problemas de intoxicação alimentar, quando os mesmos são mal acondicionados. 

E não podemos esquecer-nos da poeira. Sim, isso mesmo, como o confinamento para engorda dos bovinos é realizado preterivelmente na época seca do ano, a poeira se torna um fator importantíssimo para a sanidade dos animais. O excesso da mesma pode levar ao aumento da ocorrência de problemas respiratórios no lote, como apontado por Coutinho (2004), em que o maior número de incidências respiratórias ocorre nas três primeiras semanas dos animais no confinamento.

Exemplo de como a poeira pode cobrir os animais no confinamento e afetar a sanidade do lote
Exemplo de como a poeira pode cobrir os animais no confinamento
Fonte: @fradepereira

Mas quais são as principais doenças que ocorrem nesse período?

O Brasil é um país de dimensões continentais, oque implica dizer que não existe uma receita de bolo que aponte certamente qual ou quais as doenças que vão afetar seu rebanho nesse período, mas algumas doenças específicas podem muito bem ser pontuadas.

Existe uma grande diversidade de organismos que podem causar doenças nos animais do rebanho, podendo ser fungos (e suas micotoxinas), bactérias, viroses e parasitos, tanto os que vemos externamente, como os internos, mas também infecções alimentares, como por uréia.

Pensando na região Sul, poderíamos citar várias doenças de ordem metabólica, porém, uma que deve ser salientada, principalmente para o sistema extensivo de produção(favorecida pela possibilidade de uso de forrageiras de inverno) são as afecções podais. Problemas de cascos ocorrem pela combinação do estresse térmico, excesso de umidade no ambiente, caminhada por grandes extensões e pelo maior uso de concentrado, que leva ao aumento de acidose ruminal.

Problemas em cascos bovinos - Sanidade de cascos tem tudo a ver com o clima!
Exemplo de problemas de cascos em bovinos
Fonte: Vedovatti

Quando consideramos confinamentos, outras doenças apresentam destaque, entre elas as doenças respiratórias dos bovinos (RDB), que representam cerca de 67% a 82% das ocorrências (SMITH, 1998). A ceratoconjuntivite infecciosa bovina (se você cria bovinos das raças Hereford ou Angus, saberá do que estou falando), ocasionada pela Moraxella bovis, tem aumento de sua ocorrência no período seco, devido à irritação ocular provocada pela poeira e baixa umidade, combinada com vetores, que auxiliam na transmissão da doença.

Rural Pecuária: ceratoconjuntivite infecciosa bovina (CIB), doença séria de outono que afeta a sanidade do rebanho
Exemplo de ocorrência de Ceratoconjutivite Infecciosa bovina (CIB)
Fonte: Vallé

Doenças parasitárias, problemas com intoxicações (intoxicação por uréia), quadros de acidose ruminal, problemas digestivos infecciosos, como a clostridiose e por fim a disenteria de inverno, também pode ser elencada como doenças de importância para esse período do ano. Não consideramos aqui as mortes súbitas, que podem ocorrer em qualquer época, decorrente de múltiplas causas, como sodomia, traumatismos ocasionados por brigas e hipertermia (excesso de calor) (SMITH, 1998).

Claro, existem muitas doenças que poderiam ser listadas, mas como disse, não existe receita básica de quais são as doenças que vão obrigatoriamente acontecer, então, algumas regrinhas podem e devém ser seguidas.

Mas sou Zootecnista, como posso melhorar a sanidade do rebanho, não seria tratar doenças?

A maioria das doenças dos bovinos ocorre a partir de uma doença muita séria que acomete todos os rebanhos do Brasil. Sim, isso mesmo, contradizendo o que falei, existe uma doença que é receita de bolo para as fazendas.

Você conhece a “Manejite”? Essa séria doença afeta a produção de bovinos de corte de norte a sul e acelera a ocorrência de doenças, sendo o principal agente causador o “Erro de manejo”.

Como Zootecnista, deve ser uma responsabilidade saber como realizar o melhor manejo dos animais, para que eles não sofram de doenças que poderiam ser evitadas. Exemplo disso é o uso de água para reduzir a poeira no confinamento, o que leva a diminuição dos problemas respiratórios e casos de ceratoconjuntivite. Mas isso não é um tratamento veterinário, e sim, um manejo preventivo, que auxilia também na melhora do bem-estar dos animais.

Outro exemplo é o monitoramento bromatológico dos alimentos utilizados e a constante avaliação da forma como os alimentos são disponibilizados. Quando feito esses monitoramentos, as ocorrências de intoxicações ou contaminações por agentes bacterianos e fúngicos, podem ser reduzidas. O controle do acondicionamento dos alimentos também é outro ponto em que o zootecnista pode estar blindando o rebanho das doenças.

Além disso, outra ferramenta, essa de longo prazo, é o melhoramento genético do rebanho, com a seleção de animais resistentes a doenças de ocorrência no local da produção. Conhecer os indivíduos do rebanho e o perfil das doenças que o acometem é crucial para a definição dos melhores objetivos e critérios de seleção referentes à propriedade.

Então, cuidado com a manejite também nesse período do ano.

Algumas dicas importantes para auxiliar na melhora da sanidade do rebanho

Trago algumas dicas simples, mas de grande valia:

– Primeiramente, chame um Médico(a) Veterinário(a), ele(a) saberá a melhor forma de tratamento dos animais;

– Avalie como está o ambiente e o manejo, veja se algo no local pode estar levando as crises sanitárias;

– Mantenha um estoque de farmácia atualizado, sem medicamentos vencidos ou com a falta de alguns medicamentos principais;

– Mantenha listas de ocorrência das doenças, por lote e por indivíduos, isso ajuda a avaliar como certo local pode estar influenciando na ocorrência das doenças e como elas tem afetado o ganho de peso dos animais;

– Aproveitando as listas, crie relatórios das principais enfermidades que ocorrem por período do ano, isso ajudará a tomar medidas de controle no próximo ano, antes que as doenças ocorram novamente;

Até porque, como apontado por Kaplan e Norton (1997), “o que não é medido, não é gerenciado” e isso vale também para a sanidade do rebanho!

Essas dicas podem ser vitais, mas, mais vitais que as dicas, é o uso do produto Z-Tecs!

Isso mesmo, nosso produto não pensa apenas na pesagem, mas em tudo que ocorre na propriedade e que pode ser um problema para o desenvolvimento dos animais. A sanidade do rebanho é parte de nosso trabalho, até porque, a eficiência produtiva depende da saúde dos animais.

Ficou interessado em saber como o produto Z-Tecs pode auxiliar no manejo sanitário do seu rebanho? Entre em contato com a gente pelo email, ou pelas mídias sociais, estaremos ansiosos para lhe responder!

Fontes:

BÜRGI, R. Módulo 1 – Confinamento como negócio. Agripoint. Curso Online Confinamento: manejo para aumento de produtividade, 2009.

COUTINHO A.S. Mannheimiose pneumônica experimentalmente induzida em bezerros pela Mannheimia (Pasteurella) haemolytica A1- cepa D153: achados do exame físico, hemograma e swabs nasal e nasofaringeano [tese de doutorado]. Botucatu: Universidade Estadual Paulista; 2004.

KAPLAN R, NORTON D. A estratégia em ação: balanced scorecard. Rio de Janeiro: Campus; 1997.

SMITH, R. A. Impact of disease on feedlot performance: a review. Journal Animal Science, v.76, p.272-274,1998.

BAPTISTA, A. L. ; et al. Doenças em bovinos confinados – desafios sanitários em um confinamento de grande porte. Revista Acadêmica Ciência Animal, [S.l.], v. 15, p. 3 – 7 ago. 2017. ISSN 2596-2868. Disponível em: <https://periodicos.pucpr.br/index.php/cienciaanimal/article/view/16800/17805>. Acesso em: 26 mar. 2021.

LOPES, M.A.; MAGALHÃES, G.P. Análise da rentabilidade da terminação de bovinos de corte em confinamento: um estudo de caso. Arq. Bras. Med. Vet. Zoot. V.57, n.3, p374-379,2005.

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